As assessorias prepotentes e a blogosfera
Imagem via Wikipedia
(domínio público)
Meu amigo Manoel Netto foi morar em São Paulo. Como qualquer um que chegue para ficar na cidade, ele está descobrindo o que a cidade tem a oferecer, e é natural que os lugares para se comer bem sejam das primeiras tentativas dele. Seriam as minhas.
Sempre que fui a São Paulo foi para ficar uns dias apenas, nunca mais do que cinco. E sempre tive amigos da própria cidade que me levaram aos melhores lugares (que não têm que ser os mais caros), o que me livrou dos dissabores pelos quais o Manoel passou.
Pois bem, sem mais rodeios: o Manoel descreveu no artigo Rancho da Traíra - preço salgado e comida sem sal a sua impressão sobre um restaurante a que ele foi para comer. Só pelo título já dá para ver o Manoel não gostou do serviço da casa. No lugar dele eu teria reclamado também.
Só que isso lhe rendeu um comentário extremamente antipático das assessorias de marketing e jurídica do restaurante! Escreveram um tratado pedindo o direito de resposta (não foi exigindo, pelo menos isso), não sem antes deixar uma ameaça tácita de pedido de indenização: “(…) Contudo, o mesmo diploma legal, assegura o direito de resposta, proporcional ao agravo, além de eventuais indenizações (…)”.
O resultado?
Todo mundo que acompanha o blog do Manoel, e mesmo gente que não acompanhava, passou a demonstrar solidariedade com o ponto de vista dele ou (um ou outro gato pingado, do tipo que sempre estão do lado da minoria só para se destacarem) do lado da empresa e sua assessoria jurídica. Uma chuva de comentários, e outra de artigos como o meu, comentando o caso, que só reforçam os pontos de vista de ambas as partes: do cliente insatisfeito que achou o preço muito alto para uma comida aquém das expectativas, e da antipatia inerente a assessorias em geral.
Para começar, eu não teria abusado do espaço para comentário, pois o direito de resposta invocado pelo assessor jurídico lhe daria direito ao espaço idêntico ao utilizado pelo autor do texto. Eles escreveram pelo menos o triplo.
E da assessoria de marketing o que eu esperava era uma atitude do tipo: descobrir o telefone do Manoel e oferecer uma van para buscá-lo e devolvê-lo em casa, com a família, para ir àquela ou a qualquer outra loja da franquia, com tudo por conta da casa, para ele desfazer a má impressão. Duvido que qualquer ser humano com o juízo dentro do arrazoado fosse recusar, e que caso a má impressão pudesse mesmo ser desfeita, ele não fosse escrever um artigo com todo o cuidado para deixar claro que, sim, ele cometera um erro ao julgar pela primeira impressão.
Mas isso tudo sobre o caso é para ilustrar que a maioria das assessorias, no que tange a “blogosfera”, sofre do mesmo mal, pouco importa a especialidade. No caso do Rancho da Traíra, as assessorias jurídica e de marketing. Mas todos os dias somos atacados por assessorias de imprensa que parecem não saber como funcionam os blogs, plantando a impressão de que querem apenas tirar vantagem do nosso trabalho.
As assessorias de imprensa, de maneira geral, já se deram conta que o Blogue do Janio tem a mesma disponibilidade, ao menos em teoria (isso é só para os chatos que vão se pegar em detalhes para tentar desmerecer o contexto geral do meu artigo, que vão falar de investimento em links e servidores, mimimi), que qualquer grande veículo de mídia na Internet, inclusive aquele seu portal ou grande jornal de preferência. Mas elas não se deram conta que blogs são absolutamente pessoais, mesmo que seja um blog escrito por muitas pessoas (como o Meio Bit). Não adianta encher as nossas caixas postais com releases impessoais idênticos aos que se mandam para jornais que, por natureza, são impessoais (e também não há nada de errado nisso).
Assessorias de imprensa precisam entender que embora muitos blogs vendam posts por cinco reais, que muitos roubem conteúdo e republiquem como se fossem autênticos, também há veículos dos meios tradicionais agindo de maneira, no mínimo, ridícula, para não usar termos mais fortes. Exemplo disto é o caso recente em que textos de uma blogueira foram republicados sem autorização e com créditos dados a outra! Quem não viu, por favor faça uma pausa e veja agora: Mau Jornalismo.
O mínimo que podemos querer é que as assessorias de imprensa conheçam minimamente o veículo em que tentam empurrar seus releases. E para isso basta tirar um tempinho e ler os artigos mais recentes do blog. Até para saber se realmente o blog em questão vai se adequar à expectativa do seu cliente, se o blog vai mesmo agregar valor ao divulgar a notícia.
Para finalizar, mais uma ilustração.
Ontem conversei com um senhor, dono de uma loja virtual. Ele me foi indicado por outro amigo blogueiro para uma possível consultoria em SEO. Quando pedi a ele que me mostrasse quais eram os investimentos que ele fazia em divulgação na Internet, ele me mostrou seis sites, cada um comendo a quantia de 600 Reais mensais, para pôr um banner gráfico com link para o site do patrocinador. E os banners em quatro dos sites foram invisíveis para mim (que estava procurando por eles, imagine para um visitante fortuito), nos outros dois não agregavam valor nenhum ao patrocinador. Culpa de quem? Da assessoria dele.
Se todos esses exemplos não são mostra de prepotência muito maior do que o ego de qualquer blogueiro egocêntrico, então eu não sei mais o que é.





Por Janio Sarmento em Junho 13th, 2008 | Tags:
Junho 15th, 2008 às 12:29 am
Junho 15th, 2008 às 1:24 am
Junho 16th, 2008 às 3:02 pm
Estou acompanhando os comentários no blog do Manoel e estou impressionado com a publicidade negativa que o “buteco da traíra” conseguiu. É realmente lamentável que as assessorias de imprensa não tenham ainda acordado para o poder dos blogs que já não são mais tão novos assim e a cada dia mais vêm sendo utilizados por grandes portais para facilitar a comunicação e a interação com os leitores.
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Junho 17th, 2008 às 11:26 am
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Janio Sarmento respondeu em Junho 17th, 2008 7:38 pm:
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