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Obama, o primeiro presidente do mundo a se eleger através da Internet.

Alguns estranharam o barulho feito pela imprensa na última eleição presidencial dos Estados Unidos. Mas, pelo menos desta vez, a imprensa nanica não estava de todo destituída de razão, já que o ocupante do salão oval pode ser factualmente considerado como o presidente do mundo civilizado, depois do esboroamento do império soviético.

Você deve estar se perguntando, mas e daí, o que isto tem a ver com Blogs? Tudo, desde que foi a primeira eleição presidencial dos EUA onde a mídia internética desempenhou pela primeira vez na história o papel de protagonista.

Quem dimensionou magistralmente o tamanho do impacto, foi a professora Ivana Bentes da Escola de Comunicação da Universidade do Rio de Janeiro numa entrevista concedida ao Jornal Folha de São Paulo. Ela reconhece que, muito mais importante do que a façanha de Obama ter angariado 99% das simpatias do resto do mundo, era a necessidade de conquistar um espaço vital no seu próprio país. E para tanto, ele usou e abusou dos recursos disponibilizados na Internet.

Pela primeira vez na história o candidato predestinado foi um nativo digital. Barack Obama não poupou o uso dos recursos disponibilizados na Internet e como resultado disto, seus simpatizantes mobilizaram a Blogosfera ao seu favor, iniciando um fenômeno multiplicador jamais visto no universo sujo da política.

Os ganhos de Obama não se limitaram aos votos diretos, ele foi muito além, ao ponto de se tornar um campeão arrecadador de doações, captadas da maneira mais insuspeita pela sua antiga adversária na disputa, a senadora Hillary Clinton e posteriormente pela candidatura republicana. Enquanto os prosélitos da velha ordem analógica se preocuparam em arrecadar grandes somas junto às elites, Obama preferiu o corpo-a-corpo proletário: a coopção de milhões de pequeníssimas doações de pessoas comuns.

O embate entre a visão monolítica do século XX e a forma de pensar multi-compartimentalista oriunda das vivências on-line, se revelou assustadoramente desproporcional. Obama respondeu a campanha suja disparada pelo fogo amigo da Sra. Hillary através da postagem de vídeos no YouTube. Ele também espalhou imagens em fotoglobs e disseminou micromensagens no Twitter e celulares, que foram seguidas por milhões de usuários na rede, gerando um efeito multiplicador.

Enquanto a figura do candidato analógico Maccain se desvanecia ao longo da campanha, o candidato digital se “materializava” diante dos eleitores, graças ao ferramental interativo proporcionado pelos novos poderes concedidos pela WEB 2.0, na forma como os usuários puderam se converter em atores, interventores diretos na formação da imagem do candidato, através das redes sociais.

Ivana Bentes salienta que “o eleitor constrói a informação, intervém nos discursos, reage contra a mídia tradicional, repercute, interage e se mobiliza numa forma de ativismo que coloca em xeque a centralidade da mídia tradicional e da democracia representativa. TVs e jornais tiveram que se associar à internet, ao YouTube, fazer debates on-line com a participação dos internautas.”

Inúmeros blogs estadosunidenses estamparam nas suas páginas principais o logo da campanha de Obama. Caso eu tivesse que ser reducionista, ousaria afirmar que eles representaram a diferença na monumental obra de cativar um eleitorado obstinadamente conservador e racista. Porém, assim como os analistas tradicionais não podem prescindir das relações causais entre a campanha vencedora dos democratas e a Internet, por meu turno, seria uma atitude demasiadamente romântica afirmar que a Internet representou a diferença fundamental.
Barack Obama Logo
Logotipo da campanha de Barack Obama, disponibilizado pelo seu site oficial.
A verdade é que o imbricamento entre política e Internet parece ser um fenômeno irreversível. E o recente megasucesso de Obama ao manipular as mídias internéticas, aponta o rumo para a eleição presidencial de 2010 no Brasil: os candidatos que não forem capazes de manejar com proficiência os recursos da rede, já podem se preocupar antecipadamente com a frustração das suas pretensões.

A eleição do democrata, o mais novo namoradinho do mundo, não é o resultado de um processo que se esgota em si mesmo, pois segundo a professora Ivana, “Obama me parece estar num lugar de passagem, em que está em jogo a crise da democracia representativa, a emergência de uma democracia participativa, a descrença no mercado financeiro, a crise do Estado-nação, dos nacionalismos e ‘soberanismos’, a emergência de uma democracia global. No que nos diz respeito, ele é o devir-periférico do mundo.”

Mesmo que não morramos de amores pelo mais novo presidente do mundo, devemos outrossim, desejar que ele continue a canalizar a voz daqueles a quem a Internet deu uma.

Isaias Malta Blogs, Geral, Internet , , , , , , ,

  1. 13, novembro, 2008 em 06:16 | #1
    Só lembrando que, aqui no Brasil, candidatos e afins fazem de tudo para PROIBIR o uso da internet em campanhas eleitorais. É medo do que não conhecem.

    Responder

  1. 22, dezembro, 2008 em 21:59 | #1

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