Meu pai me ensinou tudo o que um homem deve saber da vida. Algumas de suas parábolas, a despeito da sabedoria que encerram, têm uma forma um tanto quanto chocante, e já que sei que temos senhoras e moças que acompanham este humilde metablog, creio ser melhor abster-me de citações.
Entretanto, uma de suas máximas diz que “olho grande é só pra criar remela”. Essa é light, e de domínio público, mas tampouco eu preciso de mais do que isso para ilutrar o comentário que segue.
Sem mais delongas, esta é uma resposta pública ao texto Afiliados por clique, eles ganham, você perde!, publicado no blog Professional Blogger.
Comecemos pelo princípio.
Acho muito ruim ler um post cujo nome do autor não seja um nome próprio. Creio que o anonimato na rede só funciona quando a personagem que se cria consegue emprestar personalidade daquele que a encarna, como no caso da Nospheratt. Ainda assim, embora pseudônimo, ela usa um nome próprio para assinar seus posts, e não substantivos, como o Diego (que assina “Professional Blogger”). Já que meu objetivo ao criar o Viamão Lotado era de botar o dedo na moleira e criticar abertamente outros blogs, o que me rendeu até ameaças de surras — até hoje tenho medo de visitar Pelotas —, creio que seja muito válido externar este ponto de vista. Até porque o Diego assina os comentários (e ele responde todos, numa demonstração de paciência e consideração ao leitor que eu próprio não tenho — refiro-me à paciência), e não parece ter nada o que esconder, ou de que se envergonhar.
No post em questão ele diz que não vai mais usar o programa de afiliados de nenhum comparador de preços porque enquanto o afiliado destes ganha 25 centavos num clique, o site de comparação de preços chega a ganhar 130 vezes este valor com o mesmo usuário.
Ora, isto é uma falácia, e ou o Diego está realmente tentando promover os seus links do MercadoSócios (leia mais sobre o assunto em Como faturar mais com a Superloja), ou não entendeu absolutamente nada de como funcionam os sites de comparação de preços.
Quando ele dá o exemplo de um Notebook W93, cujo clique para o afiliado rendeu centavos, e rendeu vários Reais para o site de comparação de preços, a matemática não está errada.
Entretanto, presumir que todo e qualquer clique resulte numa venda é de uma ingenuidade — prefiro pensar assim — inominável. Só demonstra que o Diego, a despeito de toda sua boa vontade, não sabe do que está falando.
Assim como a taxa de cliques nos anúncios em qualquer site é extremamente baixa (em termos absolutos), em alguns sites não passa de 1%, para os comparadores de preço vale a mesma regra. Ou seja, quem, além dos próprios comparadores de preços, pode saber o quanto os visitantes dos seus sites resultam em dinheiro?
E tem mais: o Diego ignora o fato de que os contratos que os anunciantes têm com os comparadores de preço não são necessariamente nos mesmos termos que os contratos com os blogs afiliados. Se fosse assim, por que é que eles ofereceriam remuneração de tantos por cento sobre o valor pago por clique pelo anunciante?
Por fim, não importa o que os meus patrocinadores estejam ganhando, o que importa é o que eu ganho em minha relação comercial com eles. Não importa o que um clique que eu propicie a eles vai render. Aliás, importa: eu quero que renda muito lucro, para eles sempre quererem negociar comigo.
Tendo em vista uma tentativa de ser mais suscinto no presente texto, vou abster-me de comentar a justificativa que ele deu para não excluir o AdSense da sua lista de programas afiliados. Deixo ao leitor a tarefa de pensar sobre o assunto.
Os tempos mudaram, Diego, e hoje em dia um negócio só é bom se todo mundo ganha. E eu não acho que fazer concorrência com os patrocinadores seja uma maneira de propiciar meios para que todos sejam ganhadores.