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Blogs femininos: segredos públicos?

13, novembro, 2008

Talvez eu não tivesse a mesma reação que tive quando li a entrevista que citarei no próximo parágrafo deste texto, se não estivesse tão presente na vida blogueira da minha namorada, Renata Pinheiro. Talvez eu não ficasse tão mordido quanto fiquei, com um sentimento de desprezo enorme, uma repulsa quase nauseante, se não estivesse acompanhando o que a mulherada da blogosfera está fazendo e acontecendo.

Acontece que uma dona, a professora Luiza Lobo, cedeu uma entrevista à Rádio CBN falando sobre blogs femininos, tema do seu trabalho literário “Segredos Públicos: os Blogs de Mulheres no Brasil”. Na entrevista ela resumiu os blogs femininos como “diarinhos” que nada mais fazem do que divulgar sua vida privada.

Privada, na minha humilde opinião, e com todo o respeito que eu acho que ela não merece (pelo menos pelo seu ideário deturpado com aquilo que é meu ganha-pão, os blogs) é onde a dona Luiza Lobo deveria depositar a sua prosopopéia flácida. Faltaria descarga pra tanta bosta dita pela nobre fodona-acadêmica.

Paula Signorini, Liliane Ferrari e Lucia Freitas blogando seus segredos mais íntimos, indizíveis na vida real.

Paula Signorini, Liliane Ferrari e Lucia Freitas blogando seus segredos mais íntimos, indizíveis na vida real.

“Há blogs terríveis de mulheres, em que elas ameaçam suicídio, falam da sua depressão, que eu tive que parar de ler porque não tava sendo bom”.

Como assim, Luiza? Há blogs que falam de tudo, há blogs que falam coisas boas, há blogs que falam coisas ruins, há gosto pra tudo e público pra toda essa gente… Como bem definiu um post publicado pela Lúcia Freitas, ou melhor, uma carta aberta à própria professora que foi escrita em colaboração com as 102 (and counting) meninas do grupo Luluzinha Camp, blog é uma FERRAMENTA. Ponto.

Blog, professora, é uma ferramenta de publicação na web. Nada mais e nada menos que uma ferramenta. Como tal, não conhece preconceitos de gênero. Homens e mulheres podem, livremente e sem prejulgamentos, utilizá-los para expor suas idéias, quaisquer que sejam. Tentar reduzi-los a gênero – seja ele sexual ou literário – é só isso; reduzir porque não dá conta de entender a complexidade do novo, seu caráter rizomático e sua filosofia absolutamente livre.

Luiza Lobo não só age de forma sexista desmerecendo as blogueiras, como demonstra uma falta de conhecimento digno de uma salsinha blogosférica quando coloca todas as mulheres no mesmo nível, generalizando o que não pode (e nem deve) ser generalizado. Aliás, somente desta forma eu posso encarar a entrevista feita pela CBN: um comentário de uma salsinha que leu quatro ou cinco coisas, fez um entreveiro das asneiras que leu e fez dessa uma “idéia genial”.

Um comentário embasado em nada com argumentos de coisa nenhuma, que resultou numa entrevista nada a ver produzindo conhecimento relevante pra ninguém, mas que merece ser repudiado em todas as instâncias, por todas as mulheres que conquistam a cada dia o seu respeitadíssimo e merecido espaço num universo chamado blogosfera que, por sinal, muito deve à pessoas como estas que escreveram o manifesto acima linkado.

Créditos da foto

Daniel Becher Críticas , , , ,

Obama, o primeiro presidente do mundo a se eleger através da Internet.

12, novembro, 2008

Alguns estranharam o barulho feito pela imprensa na última eleição presidencial dos Estados Unidos. Mas, pelo menos desta vez, a imprensa nanica não estava de todo destituída de razão, já que o ocupante do salão oval pode ser factualmente considerado como o presidente do mundo civilizado, depois do esboroamento do império soviético.

Você deve estar se perguntando, mas e daí, o que isto tem a ver com Blogs? Tudo, desde que foi a primeira eleição presidencial dos EUA onde a mídia internética desempenhou pela primeira vez na história o papel de protagonista.

Quem dimensionou magistralmente o tamanho do impacto, foi a professora Ivana Bentes da Escola de Comunicação da Universidade do Rio de Janeiro numa entrevista concedida ao Jornal Folha de São Paulo. Ela reconhece que, muito mais importante do que a façanha de Obama ter angariado 99% das simpatias do resto do mundo, era a necessidade de conquistar um espaço vital no seu próprio país. E para tanto, ele usou e abusou dos recursos disponibilizados na Internet.

Pela primeira vez na história o candidato predestinado foi um nativo digital. Barack Obama não poupou o uso dos recursos disponibilizados na Internet e como resultado disto, seus simpatizantes mobilizaram a Blogosfera ao seu favor, iniciando um fenômeno multiplicador jamais visto no universo sujo da política.

Os ganhos de Obama não se limitaram aos votos diretos, ele foi muito além, ao ponto de se tornar um campeão arrecadador de doações, captadas da maneira mais insuspeita pela sua antiga adversária na disputa, a senadora Hillary Clinton e posteriormente pela candidatura republicana. Enquanto os prosélitos da velha ordem analógica se preocuparam em arrecadar grandes somas junto às elites, Obama preferiu o corpo-a-corpo proletário: a coopção de milhões de pequeníssimas doações de pessoas comuns.

O embate entre a visão monolítica do século XX e a forma de pensar multi-compartimentalista oriunda das vivências on-line, se revelou assustadoramente desproporcional. Obama respondeu a campanha suja disparada pelo fogo amigo da Sra. Hillary através da postagem de vídeos no YouTube. Ele também espalhou imagens em fotoglobs e disseminou micromensagens no Twitter e celulares, que foram seguidas por milhões de usuários na rede, gerando um efeito multiplicador.

Enquanto a figura do candidato analógico Maccain se desvanecia ao longo da campanha, o candidato digital se “materializava” diante dos eleitores, graças ao ferramental interativo proporcionado pelos novos poderes concedidos pela WEB 2.0, na forma como os usuários puderam se converter em atores, interventores diretos na formação da imagem do candidato, através das redes sociais.

Ivana Bentes salienta que “o eleitor constrói a informação, intervém nos discursos, reage contra a mídia tradicional, repercute, interage e se mobiliza numa forma de ativismo que coloca em xeque a centralidade da mídia tradicional e da democracia representativa. TVs e jornais tiveram que se associar à internet, ao YouTube, fazer debates on-line com a participação dos internautas.”

Inúmeros blogs estadosunidenses estamparam nas suas páginas principais o logo da campanha de Obama. Caso eu tivesse que ser reducionista, ousaria afirmar que eles representaram a diferença na monumental obra de cativar um eleitorado obstinadamente conservador e racista. Porém, assim como os analistas tradicionais não podem prescindir das relações causais entre a campanha vencedora dos democratas e a Internet, por meu turno, seria uma atitude demasiadamente romântica afirmar que a Internet representou a diferença fundamental.
Barack Obama Logo
Logotipo da campanha de Barack Obama, disponibilizado pelo seu site oficial.
A verdade é que o imbricamento entre política e Internet parece ser um fenômeno irreversível. E o recente megasucesso de Obama ao manipular as mídias internéticas, aponta o rumo para a eleição presidencial de 2010 no Brasil: os candidatos que não forem capazes de manejar com proficiência os recursos da rede, já podem se preocupar antecipadamente com a frustração das suas pretensões.

A eleição do democrata, o mais novo namoradinho do mundo, não é o resultado de um processo que se esgota em si mesmo, pois segundo a professora Ivana, “Obama me parece estar num lugar de passagem, em que está em jogo a crise da democracia representativa, a emergência de uma democracia participativa, a descrença no mercado financeiro, a crise do Estado-nação, dos nacionalismos e ‘soberanismos’, a emergência de uma democracia global. No que nos diz respeito, ele é o devir-periférico do mundo.”

Mesmo que não morramos de amores pelo mais novo presidente do mundo, devemos outrossim, desejar que ele continue a canalizar a voz daqueles a quem a Internet deu uma.

Isaias Malta Blogs, Geral, Internet , , , , , , ,

Um blog pode ficar famoso dispensando Salsinhas & Paraquedistas?

28, outubro, 2008

Todo o blog almeja a fama. Mas, como sair das sombras se você tem milhões de blogs saindo da casca todos os dias e a sua voz emudece em meio à disputa pelo vedetismo? Se é certa a cruel estatística de que a maioria dos blogs morre em 3 meses, também é verdadeira aquela que contabiliza milhões de blogs brotando diariamente no mundo.

Alguns incautos nivelam a profissão mais velha do mundo ao ofício de blogar, ousando afirmar que tanto a putaria, como a blogaria pertencem ao gênero da “vida fácil”. Mesmo não querendo ser corporativo, tenho que puxar a brasa para o time blogueiro: é uma atividade que requer trabalho atroz, caso se queira verdadeiramente a diferenciação em meio à massa disforme de bilhões de blogs.

O segredo para a diferenciação está na visibilidade, ou seja, você terá que ser lido, terá que aparecer, terá que polemizar, terá que marcar posições. Encontrei a perfeita ilustração do que Não fazer na apresentação deste blogueiro No BlogLista:

“Pois bem… Não gosto muito da idéia de ser o centro das atenções em um tópico, mas de todo jeito vou ter que fazer isso mesmo, né? Sou Marcus Danillo, webdesigner/webdeveloper/whatever de Campinas e blogueiro nas horas vagas. Por enquanto, escrevo apenas no meu blog pessoal http://danillonunes.net, mas tenho alguns projetos para criar novos blogs em breve, que serão devidamente jabazeados por aqui (dentro do que as regras permitirem, claro). Então, é isso. Não aumentem minha vergonha respondendo essa mensagem. Grato.”

A fórmula do sucesso dos blogs é bastante simples é insofismável: os blogões só são grandes porque conquistaram seu nicho do mercado. Ora, quem quer atrair leitores não pode se dar ao luxo de recusar paraquedistas, salsinhas, trolls, miguxos, emos, etc. Mas a coisa não é tão simples assim, pois os blogueiros tendem a ser altamente exigentes com seus leitores, impondo restrições quase religiosas.

O Norberto Kawakami manifesta um certo desdém pelos paraquedistas no seguinte comentário “o efeito UEBA faz uma massagem no nosso ego, mas não sei se realmente faz alguma diferença no crescimento do meu blog ao final das contas…”

É certo que os enxames de paraquedistas produzem explosões nas curvas de acessos, responsável pela contaminação dos blogueiros com o “vício do pico”. Uma vez terminado o fenômeno explosivo, a volta ao dia a dia dos leitores habituès traz consigo uma certa frustração, o que pode levar à constatação de que a fama ainda não foi atingida.

Vejamos como a blogueira do Blog Megalopolis constatou lucidamente a incompletude do seu projeto de fama: “Atualmente, empreendo uma campanha para tornar meu blog famoso. Achava que estava conseguindo, mas era só impressão.”

O fato de não ser saudável dedicar a vida a caçar paraquedistas, não significa que desdenhá-los é o caminho da saúde. No mundo cão altamente competitivo da blogosfera, nenhuma porta deve ser fechada na véspera. A menos que você já esteja por cima da carne seca, qualquer efeito Uêba deve ser muito bem vindo, além de não ser de bom tom enxotar os enxames de paraquedistas e salsinhas que eventualmente caiam no seu blog, mesmo que não movam um milímetro a agulha do seu Adsense.

Glossário:
Paraquedista: é o tipo de leitor que cai de pára-quedas no blog atraído por alguma palavra-chave safada ou por algum hype, apertando tudo que é link e, contrariamente aos esportistas aéreos, que uma vez no chão não decolam, o leitor paraquedista levanta vôo para nunca mais voltar. Este tipo de leitor praticamente não lê, portanto, esperar comentários deles é acreditar em milagres.

Salsinha: os dois termos são quase sinônimos. Salsinha costuma caracterizar o leitor sem-noção. Há até um site dedicado a este tipo, criado pelo Cardoso, que um dia teve a esperança de ganhar algum Dim Dim com eles, segundo suas palavras textuais:

“Este blog foi criado para tentar tirar um trocado em cima da estupidez humana. Muito provavelmente vou ficar rico, ninguém nunca perdeu dinheiro subestimando a inteligência alheia, e a Internet está cheia de gente “muito” esperta.”

Além do Cardoso não ter ficado rico com o Salsinhas.com, ele foi atualizado pela última vez nos idos de setembro deste ano, o que comprova que ganhar dinheiro exclusivamente com a escória intelectual é tarefa que exige estômago de porco.

Moral da história: A menos que você pertença ao seleto time dos Top 100 da Blogosfera brasileira, não poderá prescindir de bixos emplumados, peludos, cascudos, ou seja, de Salsinhas, Paraquedistas, Trolls, Orcs, Emos, Miguxos. Caso contrário, a campanha para tornar o seu blog famoso vai redundar num grande fracasso.

Crédito da foto: Evonik.

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10 coisas detestáveis em blogs.

11, outubro, 2008

Foi-se o tempo em que se esperava pouco dos Weblogs, afinal, não se podia exigir muita coisa de diariozinhos adolescentes. Porém, passados bons pares de anos, além da abreviatura ter encolhido, o formato amadureceu e ensaiou passos em direção a se consolidar como uma nova mídia, dentro dos princípios da Web 2.0, preconizadora da possibilidade de qualquer um se tornar produtor cultural, mesmo o baixo clero intelectual dos miguxos, salsinhas, paraquedistas, analfabetos lingüísticos e digitais, malucos beleza, góticos, skinheads, emos, etc.

Contudo, escrever um blog é expor publicamente forças e fraquezas. Por conta das últimas o blog vai enfrentar muitas críticas, ao passo que receberá uns poucos elogios pelas excelências. Pensando nisto, elegi alguns fracos, por onde normalmente os comentadores entram lotados para baixar o sarrafo.

1) Posts sem data: qual é o interesse por trás da data surrupiada? Acho uma isto uma tremenda mal caratice. Será que se trata de uma tosca tentativa de escrever “posts eternos”?

2) Sem abertura para comentários: este tipo de coisa execrável é encontrável em blogs de famosos, jornalistas, escritores, etc. Estes não leio e não linko, pois o blogueiro que não abre discussões nem deveria se chamar de tal.

3) Moderação: quando você comenta num blog e recebe na lata a mensagem “Comentário aguardando moderação”, não dá uma certa frustração? Gosto muito quando comento, ver o meu comentariozinho estampado instantaneamente na página. Reconheço a moderação como um mal necessário – neguinho que recebe mil spams por dia, não pode se dar ao luxo de suspender a moderação.

4) Falta de atualização: o espírito fundamentador do blog é o diário, quando ele passa a ser semanário, mensanário, semestranário ou anuário, perde a sua razão de ser. Eu costumava ler um blog chamado Dragão na Garagem, cuja última atualização foi em 5/2/2008, numa prova que o réptil já embolorou.

5) Textos extremamente curtos: feitos sob medida para manter a atualização em dia: os blogs que economizam em escrita não me convencem. Este tipo de procedimento é sinal de blogs caça-paraquedistas. Não vou dar exemplos, mas eles pululam por aí, um deles chega a gozar do respeitável ranking ao redor de 175.000 no Alexa.

6) Tela preta: coisas detestáveis as telas pretas, quando leio um blog com template negro e volto para o mundo real, parece que os olhos vão explodir, ninguém merece. Provavelmente quando o Top dos 50 piores do Noronha ficar pronto, alguns deles vão estar nele.

7) Excesso de widgets, popups, advertisments e traquitanas: um blog não precisa obrigatoriamente agasalhar toda a cracolândia de anúncios, banners, porcariazinhas piscantes, etc. Imagino o suplício dos leitores Dial-up! Quando, ao entrar num blog, a barra de status do Browser fica minutos mostrando o carregamento de dezenas de bichinhos, fujo da página como o diabo foge da cruz.

8) Recheio de java-script: uma vez visitei o blog da atriz Daniela Suzuki e contei no relógio 10 minutos de espera diante da barra infernal “Carregando”. E foi só, uma vez carregados todos os scripts, pulei fora para nunca mais voltar.

9) Conteúdo exclusivamente voltado a paraquedistas: vez por outra os visito este tipo de blog, mais por força dos ossos de ofício, do que por querer. Não vou dar exemplos aqui porque este tipo de blogueiro é muito combativo, o que seria tão inútil quanto tosquia de porco: muito grito e pouca lã.

10) Desequilíbrio autoral: os dois extremos igualmente incomodam os leitores, tanto os blogs excessivamente opináticos, quanto os exclusivamente noticiosos. Os primeiros causam desconforto porque os leitores normalmente esperam “opiniões abalizadas” e os segundos, ao disputarem diretamente o nicho “news” com a imprensa “séria”, não repetem a escrita da luta de David contra Golias.

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No fim da Várzea, os 50 piores Blogs ensinam a blogar.

7, outubro, 2008

Em 2007, num mix de atrevimento e loucura, o Noronha lançou a sua lista dos 50 piores Blogs do Brasil. Como a língua portuguesa é ensurdecedoramente falada à brasileira, uma titica em Portugal e outra neca de pitibiribas no além mar, o cara acabou escolhendo os piores Blogs lusófonos do mundo. Ao restringir o seu universo de amostragem aos top 500 do BlogBlogs, o esforçado Noronha escapou da desintegração na poeira dos milhões de blogs deste mundão afora.

Este ano, além do Noronha querer fazer um update na sua lista, ladinamente quer a nossa cumplicidade, ou melhor, daqueles de nós que se julgam acima de qualquer suspeita. Fui um dos que cutucou a onça com vara curta, até que o rapaz saiu da toca e abriu a temporada. Dias atrás, vi no blogroll do meu blog o tiro inicial desencadeador da nova temporada de caça aos 50 piores.

Na apresentação do elefante cagando, ou seja, o logo da campanha estranhamente alguns dos nossos melhores blogs estão recebendo indicações, tais como Enloucrescendo, Pensar Enlouquece, Interney, SubstantiVolátil, Papo de Homem, etc. Isto prova que os leitores se mostram confusos e divididos entre suas antipatias e os seus critérios de ruindade. Ainda bem que o Noronha não gosta de democracia, pois aparentemente a voz do povo está se identificando com a voz de Deus.

À parte o rancor de alguns leitores dispostos a entornar o cocho e longe de querer ver o circo pegar fogo, vamos ao que interessa: que proveito transcendente podemos tirar do assunto, sem que fiquemos restritos aos suspiros de alívio de não termos sido escolhidos e às risadinhas sardônicas diante dos 50 infelizes defenestrados?

Um dos comentadores fez uma interessante reflexão sobre a metafísica bloguística:

Antonio Pedro:
“Creio que antes de olhar superficialmente os blogs e dar sua opinião você deveria ler todo o conteúdo do mesmo. Sou paraquedista de blogs e observo, às vezes, um [certo] desânimo do pessoal na criação dos seus textos. Não gosto daqueles que só fazem o colar e copiar sem ao mínimo deixar uma idéia sua, uma opinião. É como se abrissem o jornal, a revista de fofoca e apenas copiassem a matéria. Não gosto de blogs assim. Apenas uma dica de quem não é blogueiro.”

Um leitor de blogs expondo sua alma prenha de metabloguismo não é todo o dia que aparece e o Viamão não poderia passar lotado sem glosar. O Antonio se reporta precipuamente à função dos blogs, incitando-me a endossar a pergunta implícita, para quê serve um blog?

Caso houvesse resposta definitiva, não haveria necessidade de metablogs e o Viamão estaria estacionado na garagem. O leitor Antonio não gosta de blogs que só ecoam, repetem e copiam. Até porque este papel já está sendo magistralmente desempenhado pela imprensa falida. Quanto mais blogs brigam neste nicho, mais incomodados ficam os jornalistas, por seu apego extremado os seus impulsos replicantes.

O leitor quer opinião e idéias, mas elas não dão em postes. O leitor não quer desânimo, apesar da atividade blogueira ser altamente cansativa, inclusive porque não temos dinheiro para pagar pelas notícias da única Agência (qual será ela?) que abastece a imprensa imbecil.

Outrossim, o Antonio nos conclama a sermos criativos, não copiadores, autorais, idôneos, animados, valorosos, originais e nos admoesta contra o truquezinho sujo do CTRL-C/CTRL-V. Por outro lado, ele nos conclama a entender a atividade blogueira como um sacerdócio, onde o blogueiro tem o dever de desagravar a incompetência dos jornalistas, salvar a Internet da Pedofilia, destruir o Orkut e paralelamente a estes atos titânicos, produzir e produzir sempre, coisas novas, divertidas, interessantes e educativas.

Enquanto discutimos a função dos blogs neste metablog, o Noronha esquadrinha os nossos rins e corações(Apocalipse 2:23) à procura do pior de nós para que tenhamos pão em circo, caso porventura, sejamos poupados.

Foto via Tipos.

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Os 10 tipos de blogs mais representativos da blogosfera.

29, setembro, 2008

Tudo o que você não sabia sobre blogs e sempre teve medo de perguntar.

1 – Blogs de Tecnologia.
São os blogs que versam sobre informática, comunicação, gadgets e traquitanas eletrônicas de todas as espécies.

Chave do Sucesso: para disputar um lugar ao sol neste nicho dificílimo, é imprescindível estar antenado no mercado. É imperativo ser rápido como no gatilho como o Jesse James, pois notícia velha neste segmento é morte certa.

2 – Blogs para ganhar dinheiro com blogs: monetização, rentabilização e SEO.
Há uns anos atras ouve uma proliferação deste tipo de blogs. Agora o mercado amadureceu, eliminando os fracos. O mais bizarro desta categoria são os blogs chamados “ganhe-dinheiro-na-internet.blogspot.com”. O  Noronha caiu atirando neste tipo de coisa no seu post 50 piores blogs da blogosfera Brasileira. “Como é possível respeitar um blog sobre ganhar dinheiro que não tem nem um domínio próprio?” Mais matador do que isto, só enfiando uma azeitona no ouvido da vítima.

Chave do Sucesso: Apesar de ter decaído o número de concorrentes, a briga de serrote ainda é cruel neste nicho. Assim como os blogs tecnológicos, é condição sine qua non que o blogueiro tenha uma sólida formação técnica na estrutura da WEB para sonhar com vitória num campo minado de cobras criadas, tipo Janio e Nospheratt.

3 – Blogs Autorais: poesia, pessoal, crônicas, contos, críticas, opiniões.
Nesta classificação misturam-se grandes e pequenos. São os blogs das crônicas, poesias, opiniões, críticas, contos, textos massivos, textos sem-noção, egocêntricos, blá-blá-blá. Textos enormes e non sense, com sentido e bizarros, saídos da telha e caídos do telhado. O diferencial deste tipo de blog corre por conta do peso e da credibilidade do autor.
Sempre é bom lembrar que os primórdios do Weblog aconteceram sob a inspiração do diário de adolescente, cuja culpa os blogs expiam até hoje.

Chave do Sucesso: a princípio este tipo de blog já possui o requisito básico definido pelo Google – conteúdo próprio. Porém, na prática a coisa não é tão fácil assim porque uma grande massa de blogs se acotovelam neste nicho. Desde o deus do blog autoral, o Cardoso, ao Zé Ninguém, existem infinitas nuances e descaminhos que botam a perder a maioria dos blogs depois de algum tempo. A fórmula da transmutação de um Zé Ninguém a um Cardoso, se o Cardoso a conhece tem-na guardada a sete chaves.

4 – Blogs do mal: downloads, jogos, hypes, pornografia, parasitismo, disseminação de vírus.
É o ambiente underground da internet, onde reina a baixaria, o terror e a marginalia. São blogs especializados nos fogos de artifícios das explosões de acessos ao custo da venda da alma ao diabo. Este tipo optou definitivamente pelo lado negro da força. O resquício disto é a marca da besta do Page Rank 1, aquela que o Google carimba nos sites com problema.
Um comentário do Ginno Neto postado, sintetizou a ânsia que leva ao blog do mal:

“Pensando sobre o nome do meu blog, achei que deveria mudá-lo para “Fotos da Sandy Pelada”, a fim de conseguir aumentar as visitações. Porém descobri que outro blogueiro já tinha utilizado este título.”

Chave do Sucesso: nenhum deles jamais pode ter sucesso duradouro, uma vez que o crime não compensa.

5 – Blog Monotemático: sobre novela, time de futebol, aviação, ufologia, etc.
É o blog de um assunto só, uma novela, um time, uma celebridade, etc. Sua evidência depende exclusivamente da efervescência daquele assunto.

Chave do Sucesso: O sucesso deste tipo de nicho está umbilicalmente ligado a relevância do tema que lhe anima. O blog sucumbe ao menor sinal de arrefecimento do tema.

6 – Blogs de notícias: jornalísticos, políticos e miméticos da grande mídia.
Grandes jornalistas passaram a ter blogs badaladíssimos, mas quase todos eles carecem do espírito da interatividade imprescindível à Web 2.0. Eles normalmente obliteram os comentários, impondo mediações duríssimas e silenciamentos injustificáveis aos seus leitores. Não gosto deles, entre eles e a imprensa jornalão, fico com o jornalão.

Chave do Sucesso: neste nicho tudo depende de como é respondida a pergunta – o blog é tocado por um jornalista metido a blogueiro, ou por um blogueiro metido a jornalista? Os que não têm capacidade analítica, ou seja, nada adendam, têm poucas chances de triunfar numa rinha dominada por figurões de ofício.

7 – Blogs de Curiosidades.
O vídeo engraçado, o Top 10 das blogueiras mais gostosas, o maior elefante do mundo, a foto do padre voador morto, os menores computadores de todos os tempos, sexo animal… entre animais, a cena curiosa, o Time Lapse, a Time Line, etc. É um tipo de blog, em franca expansão, que ecoa de maneira sintética o que está acontecendo de mais curioso, bizarro e insólito por aí.

Chave do Sucesso: mesmo que seja conteúdo vertido do Gizmodo, tem que haver uma leitura pessoal, senão os leitores se fogem.

8 – Blogs especializados.
Nesta categoria estão os blogs tocados por expertos na sua área. São cientistas, professores, médicos, músicos, advogados, lingüistas, historiadores, designers gráficos, grafiteiros etc.

Chave do Sucesso: a razão do sucesso deste tipo é a mais fácil de todas – vai depender do domínio que o blogueiro tem sobre a sua especialidade. Quanto maior for, mais chances terá de triunfar.

9 – Blogs generalistas.
Provavelmente é o tipo de Blog que mais se alastra atualmente na Internet. São blogs que não se enquadram na ortodoxia de nenhuma das categorias porque seus autores optam por diversificar os seus conteúdos, misturando conteúdo autoral, com curiosidades, vídeos, tecnologia, notícias, etc. Os generalistas são submetidos mais amiúde às tentações das forças do mal.

Chave do Sucesso: num nicho com muitos ombros se batendo na hora do Rush, não há outra maneira de garantir um lugar ao sol além da diferenciação. Mais um blog igual a todos os outros, que todo mundo está lançando pilhas no mercado, está fadado ao fracasso. Para evitar a vala comum, ele vai ter que se diferenciar para não passar em brancas nuvens.

10 – Blogs linkadores.
São blogs que linkam outros blogs. Esta categoria se divide em três tipos:
- os de estilo Digg, que usam sistema de votações. O segmento é disputado por dezenas deles no Brasil;

- o outro tipo é do estilo Fark. Seu único herdeiro e seguidor remanescente no Brasil é o Uêba. Qualquer blog de qualquer tipo pode mandar seu link para lá, com um detalhe: todo e qualquer link será submetido ao crivo do editor chefe, que decidirá soberanamente quais serão publicados. Assim, o link que não pertença ao Index Negro dos Blogs banidos pelo Uêba, tem chances reais de publicação, desde que o post tenha relevância ao olhar do editor;

- o terceiro tipo é quase um meme do Uêba, diferenciando-se quanto ao portfólio fechado de Blogs. O Yahoo!Posts selecionou um time representativo de pouco mais de uma centena de blogs e publica na primeira página os links exclusivamente deste set, previamente escolhidos por uma equipe temática de editores.

Chave do Sucesso: os Diggs, devido ao seu grande número, estão às voltas com a forte competição e a necessidade imperiosa de depurar os seus sistemas de votação. Em ninho de cobras, quem viver, vencerá.

O Uêba, surpreendentemente tocado por um exército de um homem só, até hoje não conseguiu ser copiado num mercado altamente copiador como a Internet. Aqui eu tenho que render uma homenagem ao Knuttz: o cara está tocando um projeto com um grau de complexidade muito acima àquilo que nós podemos conceber. A sobrevivência da experiência pioneira, iniciada nos inícios de 2002 com o Fidido, transformado em Uêba um ano depois, é a prova viva de um fenômeno ímpar na blogosfera brasileira.

Já o futuro do esquema do Yahoo!Posts é uma incógnita. Ele, mais cedo ou mais tarde enfrentará o dilema da oxigenação, o mesmo que renegou o Yahoo ao segundo lugar no mundo, a uma fatia de mercado minoritária frente ao Google. O problema do “Roxo” é a sua síndrome restritiva, no Yahoo!Posts sob a forma de um grupo fechado de blogs “escolhidos” e no Yahoo Buscador, sob a maneira restritiva como seus robôs indexadores linkam os sites – visitando com pouca freqüência poucos links – que acabam gerando poucos e magros resultados. Como o Roxo não aceitou “se vender” à Microsoft, talvez tenha chegado a hora dele entender definitivamente o universalismo subjacente ao conceito WEB 2.0.

Nas minhas visitas ao Roxo, sempre encontro textos de alto nível, numa prova de que a seleção dos melhores, pegou realmente os melhores.

Leitura adicional de tipos de blogs, quanto à estrutura:
6 tipos de blogs.

Quanto ao mérito:
Os 4 Diferentes Tipos de Blogs.
3 tipos de Blogs.

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Há vida inteligente no planeta Uêba?

25, setembro, 2008

Este é mais um post sobre o interminável, incandescente, incompreendido, polêmico e apaixonante tema das redes sociais.

Para começo de conversa, eu mato a cobra e mostro o pau. Pois vejamos, o meu post anterior “Por que um blog não deve cair no lado negro da força?” suscitou uma bela discussão sobre Site colaborativo Uêba, uma versão tupiniquim do Fark.com.

Os comentários do Lado Negro da Força seguiam um andorzinho normal até que entra a audaciosa usuária Iara Alencar fazendo interessantes contraposições às idéias esposadas por mim em relação ao Uêba. Suas obtemperações foram de natureza bidimensionalmente qualitativas e sociais.

Quanto à dimensão qualitativa.
Então, no intuito de esclarecer os milhares de blogueiros que se iniciam todos os dias na blogagem, vamos à questão qualitativa. A um primeiro olhar, alguém pode concluir que o Uêba só linka o tombo da Madonna, o vídeo engraçado, a cirurgia para aumentar o prazer, os brasileiros fazendo macumba no Japão, etc., como foi referido pela Iara. Só que há um porém, o “digníssimo senhor sabe-tudo Knuttz” também solta suas pérolas do conhecimento. Vejamos algumas delas em áreas díspares, tais como ciências, cinema, política, finanças, artes, filosofia:

O Espírito do Tempo.

Querem usar o nome do grande cientista Carl Sagan, sem autorização, para fundar um instituto de ufologia!

O Mito da Caverna narrado por Platão no livro VII do Republica é, talvez, uma das mais poderosas metáforas imaginadas pela filosofia, em qualquer tempo!

Os 10 experimentos psicológicos mais antiéticos.

História da arte – Disposto em ordem cronológica desde a pré-história até os tempos atuais, com certeza vai ampliar muito seu conhecimento sobre a história da arte.

O Tiranosauro Rex é uma fraude? Veja porque a lenda do maior assassino da pré história pode estar com seus dias contados.

A crise financeira internacional derrubou a bolsa, fez baixas nos EUA e quebrou um importante banco! A situação é grave para você e sua família? De quem é a culpa?

5 experimentos científicos que podem acabar com nosso planeta! Veja também quanto tempo você terá para fugir caso alguma coisa dê errado!

Será que os blogueiros “sérios” devem desistir de mandar seus links ao Uêba, porque qualquer link autoral é sistematicamente rejeitado? Para quem, que como a Iara, não teve tempo para explorar a “Knuttzfera”, onde se localizam as diretrizes de postagem do Uêba, vou citar um pequeno trecho dos papiros egípcios que dão esperanças para quem acha que o Knuttz somente linka bobagens e deleta terminantemente o resto, vamos ler o que ele próprio diz sobre o problema dos “excelentes conteúdos”:

“Eu tenho um problema grande quando o conteúdo envolve opinião ou visão pessoal (crônicas, contos, críticas, resenhas, etc.) geralmente são textos um pouco mais longos, e merecem uma leitura crítica. Mas infelizmente eu não tenho tempo para fazer a leitura crítica, e apesar de saber que eventualmente eu estou deixando de publicar excelente conteúdo, a maioria destes textos são descartados. Mas animem-se, eu acredito em exceções ;-)Clique aqui para ler os papiros egípcios na íntegra!

Animem-se, além do meu blog, o Knuttz tem contemplado inúmeras outras exceções.

Ora, quando a Iara declara solenemente que nunca submeteu nada ao Uêba, logicamente as suas chances de linkagem são automaticamente reduzidas a zero. Cá para nós, não acredito que um blogueiro só escreva para o seu umbigo. Qualquer criatura que escreva em bom português pode se defender com múltiplos conteúdos, que eventualmente caiam no beneplácito do Sr. “Sabe-Tudo”.

Sobre a dimensão social e democrática.
Por dimensão social, entendo a crítica feita ao Knuttz, de que é ele e somente ele o deus super-poderoso elegendo e deletando links. Parcialmente ela é verdadeira, ele é o dono, owner , e faz o que lhe der na telha. Por outro lado, ele existe para uma comunidade e, de certo modo, não pode exercer um livre arbítrio absoluto por imposições da comunidade a quem ele serve e de quem o seu sucesso depende. No frigir dos ovos, o Uêba é rede tão social e democrática quanto qualquer outra, porque o seu editor não pode fugir do que os seus leitores querem – é onde entra o espírito da comunidade, é quando se pode pensar que é ELA quem manda no final das contas.

Confesso que graças ao Knuttz estou desenvolvendo o espírito colaborativo. Nas minhas andanças na Internet, sempre que vejo um pitelzinho digno de ser linkado, mando na mesma hora para ele e… pimba, todos os links colaborativos de terceiros que mandei foram publicados. Eu acredito no nosso Fark versão-macumba e penso que é uma rede social. Tanto isto acontece que ocasionalmente um link colaborativo mandado por mim tem mais visitação do que um link meu. É assim que a coisa funciona, pois sei que estarei sendo indiretamente beneficiado pelo aumento da visitação.

Suspeito que a resposta à pergunta do post esteja implícita no conteúdo deste artigo e acredito que a Iara presta um grande serviço ao manifestar livremente as suas opiniões, apesar de algumas delas carecerem de base argumentativa mais sólida. A discussão iniciada no artigo sobre o Lado Negro da Força tem o grande condão de esclarecer a comunidade blogueira sobre um assunto palpitante para este ônibus MetaBlog, que passa lotado sobre as cabeças, ora solucionando dúvidas, ora criando outras, ora suscitando incandescências.

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