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O problema do Plágio nunca tem fim

29, abril, 2008
Português: O futebolista brasileiro Ronaldo Nazário.

Depois do sexo é bom falar de
futebol com quem realmente
entende do assunto.
Imagem via Wikipedia

Eu sei que o assunto não é nada novo, que muita gente já abordou de maneira melhor e mais detalhada ou aprofundada, mas o que eu presenciei hoje me dá a desesperança total quanto a um dia a questão do plágio ser moralizada.

Antes do fato em si, um pequeno preâmbulo, que se faz necessário para situar quem porventura nunca tenha lido mais nenhum metablog na vida, e este seja o seu primeiro post (parabéns, seja bem vindo, se for o caso).

Plágio, em termos de blogs, é quando alguém copia um conteúdo de autoria de outrem, sem sua autorização, e publica como se fosse seu. O quadro típico é um blogueiro iniciante que viu um monte de relatórios de ganhos em metablogs sobre monetização abre um blog no Blogspot e ao invés de criar conteúdo começa a plagiar conteúdo dos outros.

Normalmente estes vermes não sabem nem escrever, ameaçam quem os contraria, e só têm uma motivação na vida: ganhar dinheiro de qualquer forma, nem que sejam parcos centavos, pouco importando compromisso com leitores (o que eles têm são clicadores), com os autores do conteúdo que duplicam ou com seus anunciantes.

É comum que estes vermes, quando instados a removerem conteúdo roubado de seus sites, fiquem irritadinhos, subam nos tamancos e digam que estão fazendo um bem ao autor verdadeiro do conteúdo ao “divulgarem” o seu trabalho.

Particularmente, não tenho mais paciência com este tipo de coisa. Esta semana mesmo encontrei material meu publicado sem autorização, e fui direto na hospedagem do sujeito. Em meia hora o site estava offline, e quando voltou, duas horas depois, o meu material que fora roubado havia sido removido. Claro que este é um caso extremamente feliz, de um administrador de um servidor de hospedagem que detesta plágio tanto quanto eu, mas creio que seja esse o caminho que eu vá tomar doravante, sempre.

Para quem realmente não entende por que o plágio, mesmo com os links para o site original, prejudica o verdadeiro autor, a explicação é simples: o Google penaliza, ou seja, “dá nota baixa” para todo e qualquer conteúdo duplicado que encontrar. Se houver uma outra página exatamente igual a essa em algum lugar, o Google certamente vai tirar pontos de relevância das duas. Ou seja, nem o plagiador se beneficia, nem o autor (esse é o mais prejudicado).

O caso que destruiu minhas últimas esperanças consiste do seguinte.

Todas as tardes, praticamente, ouço o programa Pretinho Básico, da Rede Atlântida de Rádio, que é um talk-show com um bando de marmanjos da minha geração falando bobagem, igual às oportunidades em que a gente se reúne em um barzinho para falar de tudo e de nada. Vira e mexe eles estão reproduzindo algum texto que saiu da Internet, e não raro eles dizem “foi um ouvinte que nos mandou por e-mail”, o que ameniza a questão da falta de citação das fontes (tira o deles da reta, pelo menos).

Com esse escândalo do Ronaldo e da travesti, o assunto do programa não poderia ser diferente, são muitas piadas a respeito do caso. Num dado momento, o “Gordo Ronaldo”, personagem do programa inspirado do fofômeno, resolve falar das dez melhores desculpas para quando você for flagrado saindo do motel com um travesti.

Acontece que este texto eu já havia lido pela manhã no fide do Cocadaboa, e está publicado exatamente aqui: as 10 melhores desculpas para se dar ao ser flagrado com um travesti. É claro que o Manson poderia ter plagiado alguém, mas não é do feitio dele, justo ele que vira e mexe é vítima do mesmo plagiador. À medida que eu ia ouvindo as piadas, aquele bando de otário rindo como se a produção do programa fosse realmente mais esperta que a maioria dos ursos em geral, o nó na goela ia aumentando, junto com a expectativa para saber se a última piada seria mantida igual ou modificada.

Mantiveram igual: “cabrinei”.

Uma piada que fora do contexto, sem o link que o Manson pôs para que os leitores pudessem se informar, não faz o menor sentido. Mas eles a irradiaram, entre seus milhares e milhares de ouvintes, sem dizer — não custava nada — essa piada a gente tirou do site Cocadaboa.

Se eles, profissionais formados em Comunicação Social, que pagam anuidade pro sindicato deles, portanto jornalistas profissionais, não se dão ao respeito, com que culhão que a classe, como um todo, vem querer se posar de superior aos blogs? Ou será que por ser um programa humorístico eles ficam isentos da ética que deve nortear todo e qualquer profissional, mais enfaticamente os assim ditos “formadores de opinião”?

Assim não dá, assim não tem jeito. Vou ali no Blogspot criar um site pra pôr uns banners de sistemas de bux e já volto.

Em tempo: sim, eu tenho preconceito contra o Blogspot.

Janio Sarmento Críticas , , ,