Blogs femininos: segredos públicos?
Talvez eu não tivesse a mesma reação que tive quando li a entrevista que citarei no próximo parágrafo deste texto, se não estivesse tão presente na vida blogueira da minha namorada, Renata Pinheiro. Talvez eu não ficasse tão mordido quanto fiquei, com um sentimento de desprezo enorme, uma repulsa quase nauseante, se não estivesse acompanhando o que a mulherada da blogosfera está fazendo e acontecendo.
Acontece que uma dona, a professora Luiza Lobo, cedeu uma entrevista à Rádio CBN falando sobre blogs femininos, tema do seu trabalho literário “Segredos Públicos: os Blogs de Mulheres no Brasil”. Na entrevista ela resumiu os blogs femininos como “diarinhos” que nada mais fazem do que divulgar sua vida privada.
Privada, na minha humilde opinião, e com todo o respeito que eu acho que ela não merece (pelo menos pelo seu ideário deturpado com aquilo que é meu ganha-pão, os blogs) é onde a dona Luiza Lobo deveria depositar a sua prosopopéia flácida. Faltaria descarga pra tanta bosta dita pela nobre fodona-acadêmica.

Paula Signorini, Liliane Ferrari e Lucia Freitas blogando seus segredos mais íntimos, indizíveis na vida real.
“Há blogs terríveis de mulheres, em que elas ameaçam suicídio, falam da sua depressão, que eu tive que parar de ler porque não tava sendo bom”.
Como assim, Luiza? Há blogs que falam de tudo, há blogs que falam coisas boas, há blogs que falam coisas ruins, há gosto pra tudo e público pra toda essa gente… Como bem definiu um post publicado pela Lúcia Freitas, ou melhor, uma carta aberta à própria professora que foi escrita em colaboração com as 102 (and counting) meninas do grupo Luluzinha Camp, blog é uma FERRAMENTA. Ponto.
Blog, professora, é uma ferramenta de publicação na web. Nada mais e nada menos que uma ferramenta. Como tal, não conhece preconceitos de gênero. Homens e mulheres podem, livremente e sem prejulgamentos, utilizá-los para expor suas idéias, quaisquer que sejam. Tentar reduzi-los a gênero – seja ele sexual ou literário – é só isso; reduzir porque não dá conta de entender a complexidade do novo, seu caráter rizomático e sua filosofia absolutamente livre.
Luiza Lobo não só age de forma sexista desmerecendo as blogueiras, como demonstra uma falta de conhecimento digno de uma salsinha blogosférica quando coloca todas as mulheres no mesmo nível, generalizando o que não pode (e nem deve) ser generalizado. Aliás, somente desta forma eu posso encarar a entrevista feita pela CBN: um comentário de uma salsinha que leu quatro ou cinco coisas, fez um entreveiro das asneiras que leu e fez dessa uma “idéia genial”.
Um comentário embasado em nada com argumentos de coisa nenhuma, que resultou numa entrevista nada a ver produzindo conhecimento relevante pra ninguém, mas que merece ser repudiado em todas as instâncias, por todas as mulheres que conquistam a cada dia o seu respeitadíssimo e merecido espaço num universo chamado blogosfera que, por sinal, muito deve à pessoas como estas que escreveram o manifesto acima linkado.
