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Textos com Etiquetas ‘salsinhas’

Um blog pode ficar famoso dispensando Salsinhas & Paraquedistas?

28, outubro, 2008

Todo o blog almeja a fama. Mas, como sair das sombras se você tem milhões de blogs saindo da casca todos os dias e a sua voz emudece em meio à disputa pelo vedetismo? Se é certa a cruel estatística de que a maioria dos blogs morre em 3 meses, também é verdadeira aquela que contabiliza milhões de blogs brotando diariamente no mundo.

Alguns incautos nivelam a profissão mais velha do mundo ao ofício de blogar, ousando afirmar que tanto a putaria, como a blogaria pertencem ao gênero da “vida fácil”. Mesmo não querendo ser corporativo, tenho que puxar a brasa para o time blogueiro: é uma atividade que requer trabalho atroz, caso se queira verdadeiramente a diferenciação em meio à massa disforme de bilhões de blogs.

O segredo para a diferenciação está na visibilidade, ou seja, você terá que ser lido, terá que aparecer, terá que polemizar, terá que marcar posições. Encontrei a perfeita ilustração do que Não fazer na apresentação deste blogueiro No BlogLista:

“Pois bem… Não gosto muito da idéia de ser o centro das atenções em um tópico, mas de todo jeito vou ter que fazer isso mesmo, né? Sou Marcus Danillo, webdesigner/webdeveloper/whatever de Campinas e blogueiro nas horas vagas. Por enquanto, escrevo apenas no meu blog pessoal http://danillonunes.net, mas tenho alguns projetos para criar novos blogs em breve, que serão devidamente jabazeados por aqui (dentro do que as regras permitirem, claro). Então, é isso. Não aumentem minha vergonha respondendo essa mensagem. Grato.”

A fórmula do sucesso dos blogs é bastante simples é insofismável: os blogões só são grandes porque conquistaram seu nicho do mercado. Ora, quem quer atrair leitores não pode se dar ao luxo de recusar paraquedistas, salsinhas, trolls, miguxos, emos, etc. Mas a coisa não é tão simples assim, pois os blogueiros tendem a ser altamente exigentes com seus leitores, impondo restrições quase religiosas.

O Norberto Kawakami manifesta um certo desdém pelos paraquedistas no seguinte comentário “o efeito UEBA faz uma massagem no nosso ego, mas não sei se realmente faz alguma diferença no crescimento do meu blog ao final das contas…”

É certo que os enxames de paraquedistas produzem explosões nas curvas de acessos, responsável pela contaminação dos blogueiros com o “vício do pico”. Uma vez terminado o fenômeno explosivo, a volta ao dia a dia dos leitores habituès traz consigo uma certa frustração, o que pode levar à constatação de que a fama ainda não foi atingida.

Vejamos como a blogueira do Blog Megalopolis constatou lucidamente a incompletude do seu projeto de fama: “Atualmente, empreendo uma campanha para tornar meu blog famoso. Achava que estava conseguindo, mas era só impressão.”

O fato de não ser saudável dedicar a vida a caçar paraquedistas, não significa que desdenhá-los é o caminho da saúde. No mundo cão altamente competitivo da blogosfera, nenhuma porta deve ser fechada na véspera. A menos que você já esteja por cima da carne seca, qualquer efeito Uêba deve ser muito bem vindo, além de não ser de bom tom enxotar os enxames de paraquedistas e salsinhas que eventualmente caiam no seu blog, mesmo que não movam um milímetro a agulha do seu Adsense.

Glossário:
Paraquedista: é o tipo de leitor que cai de pára-quedas no blog atraído por alguma palavra-chave safada ou por algum hype, apertando tudo que é link e, contrariamente aos esportistas aéreos, que uma vez no chão não decolam, o leitor paraquedista levanta vôo para nunca mais voltar. Este tipo de leitor praticamente não lê, portanto, esperar comentários deles é acreditar em milagres.

Salsinha: os dois termos são quase sinônimos. Salsinha costuma caracterizar o leitor sem-noção. Há até um site dedicado a este tipo, criado pelo Cardoso, que um dia teve a esperança de ganhar algum Dim Dim com eles, segundo suas palavras textuais:

“Este blog foi criado para tentar tirar um trocado em cima da estupidez humana. Muito provavelmente vou ficar rico, ninguém nunca perdeu dinheiro subestimando a inteligência alheia, e a Internet está cheia de gente “muito” esperta.”

Além do Cardoso não ter ficado rico com o Salsinhas.com, ele foi atualizado pela última vez nos idos de setembro deste ano, o que comprova que ganhar dinheiro exclusivamente com a escória intelectual é tarefa que exige estômago de porco.

Moral da história: A menos que você pertença ao seleto time dos Top 100 da Blogosfera brasileira, não poderá prescindir de bixos emplumados, peludos, cascudos, ou seja, de Salsinhas, Paraquedistas, Trolls, Orcs, Emos, Miguxos. Caso contrário, a campanha para tornar o seu blog famoso vai redundar num grande fracasso.

Crédito da foto: Evonik.

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10 coisas detestáveis em blogs.

11, outubro, 2008

Foi-se o tempo em que se esperava pouco dos Weblogs, afinal, não se podia exigir muita coisa de diariozinhos adolescentes. Porém, passados bons pares de anos, além da abreviatura ter encolhido, o formato amadureceu e ensaiou passos em direção a se consolidar como uma nova mídia, dentro dos princípios da Web 2.0, preconizadora da possibilidade de qualquer um se tornar produtor cultural, mesmo o baixo clero intelectual dos miguxos, salsinhas, paraquedistas, analfabetos lingüísticos e digitais, malucos beleza, góticos, skinheads, emos, etc.

Contudo, escrever um blog é expor publicamente forças e fraquezas. Por conta das últimas o blog vai enfrentar muitas críticas, ao passo que receberá uns poucos elogios pelas excelências. Pensando nisto, elegi alguns fracos, por onde normalmente os comentadores entram lotados para baixar o sarrafo.

1) Posts sem data: qual é o interesse por trás da data surrupiada? Acho uma isto uma tremenda mal caratice. Será que se trata de uma tosca tentativa de escrever “posts eternos”?

2) Sem abertura para comentários: este tipo de coisa execrável é encontrável em blogs de famosos, jornalistas, escritores, etc. Estes não leio e não linko, pois o blogueiro que não abre discussões nem deveria se chamar de tal.

3) Moderação: quando você comenta num blog e recebe na lata a mensagem “Comentário aguardando moderação”, não dá uma certa frustração? Gosto muito quando comento, ver o meu comentariozinho estampado instantaneamente na página. Reconheço a moderação como um mal necessário – neguinho que recebe mil spams por dia, não pode se dar ao luxo de suspender a moderação.

4) Falta de atualização: o espírito fundamentador do blog é o diário, quando ele passa a ser semanário, mensanário, semestranário ou anuário, perde a sua razão de ser. Eu costumava ler um blog chamado Dragão na Garagem, cuja última atualização foi em 5/2/2008, numa prova que o réptil já embolorou.

5) Textos extremamente curtos: feitos sob medida para manter a atualização em dia: os blogs que economizam em escrita não me convencem. Este tipo de procedimento é sinal de blogs caça-paraquedistas. Não vou dar exemplos, mas eles pululam por aí, um deles chega a gozar do respeitável ranking ao redor de 175.000 no Alexa.

6) Tela preta: coisas detestáveis as telas pretas, quando leio um blog com template negro e volto para o mundo real, parece que os olhos vão explodir, ninguém merece. Provavelmente quando o Top dos 50 piores do Noronha ficar pronto, alguns deles vão estar nele.

7) Excesso de widgets, popups, advertisments e traquitanas: um blog não precisa obrigatoriamente agasalhar toda a cracolândia de anúncios, banners, porcariazinhas piscantes, etc. Imagino o suplício dos leitores Dial-up! Quando, ao entrar num blog, a barra de status do Browser fica minutos mostrando o carregamento de dezenas de bichinhos, fujo da página como o diabo foge da cruz.

8) Recheio de java-script: uma vez visitei o blog da atriz Daniela Suzuki e contei no relógio 10 minutos de espera diante da barra infernal “Carregando”. E foi só, uma vez carregados todos os scripts, pulei fora para nunca mais voltar.

9) Conteúdo exclusivamente voltado a paraquedistas: vez por outra os visito este tipo de blog, mais por força dos ossos de ofício, do que por querer. Não vou dar exemplos aqui porque este tipo de blogueiro é muito combativo, o que seria tão inútil quanto tosquia de porco: muito grito e pouca lã.

10) Desequilíbrio autoral: os dois extremos igualmente incomodam os leitores, tanto os blogs excessivamente opináticos, quanto os exclusivamente noticiosos. Os primeiros causam desconforto porque os leitores normalmente esperam “opiniões abalizadas” e os segundos, ao disputarem diretamente o nicho “news” com a imprensa “séria”, não repetem a escrita da luta de David contra Golias.

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O que podemos aprender com os spammers

16, setembro, 2008

Estava lendo o blog DoshDosh (que nunca sei se é escrito por um cara ou por uma mulher) e deparei-me com o excelente texto What We Can Learn from E-mail Spammers, que veio bem ao encontro de algo que eu já tencionava escrever por aqui. Por isso resolvi adaptar o que li por lá para o que você vai ler a seguir. Que fique bem claro que aquele texto serviu como inspiração para este, e dele aproveito algumas idéias; tire um tempo e leia o texto original (em Inglês) para saber mais sobre o assunto.

Este é um gafanhoto

O negócio dos spammers tem que dar resultado, ou eles já teriam parado de fazer suas necessidades digitais em nossas caixas de entrada. Não me refiro ao Spam do Gafanhoto, mas sim daqueles que ficam tentando nos convencer a comprar remédio para impotência, calmantes, ou então nos fazer acreditar que realmente ganhamos sem jogar na loteria de algum país da Europa, ou de qualquer outro continente.

Os spammers sabem que estão enganando as pessoas com sua propaganda (mesmo que não se trate de tentativas de golpe ou roubo de senha, mas sim de algum produto legítimo), sabem que são mal vistos, que são completos anônimos para as milhares e milhares de pessoas que receberão seu esterco eletrônico em suas caixas postais, que tampouco sabem quem são os destinatários pra quem enviam, mas ainda assim continuam despachando suas mensagens não solicitadas, e com um nível de “acerto” (seja ele qual for) muito mais alto do que minha mente possa conceber.

Como, então, fazer com que as pessoas leiam essa porcaria toda, acredite no lixo, e clique nos links para comprar os produtos sendo oferecidos (tratemos aqui apenas dos spams “do bem”)?

Simples: criando um vínculo emocional com o target, o que pode ser feito desde ao mexer com sua vaidade ou autoimagem, até gerar empatia por usar nomes conhecidos no texto: segundo o blog DoshDosh, o povo pode não saber quem raios é Janio Sarmento, mas com certeza sabe quem são Mulher Melancia ou Angelina Jolie (ok, o exemplo da Mulher Melancia foi idéia minha). Segundo este mesmo blog, 2,28% dps e-mails enviados em julho de 2008 continham o nome da Sra Brad Pitt no campo assunto (não sei de onde vem essa estatística).

Estarão estas celebridades sem calcinha?

Claro que estas técnicas são tão mais eficientes quanto mais néscias forem as pessoas que receberem a mensagem: o senso de “familiaridade” causado pelos nomes de celebridades é poderoso. É a mesma razão pela qual os spammers costumam inventar nomes de instituições muito parecidos com os nomes de bancos verdadeiros (isso quando não tentam reproduzir o nome, mas no máximo mimetizam, graças à indisfarçável ignorância que parece ser marca registrada de spammers golpistas).

Da mesma forma, spammers adoram usar efemérides recentes como iscas. Eventos como eleições, olimpíadas, conflitos entre nações, o final da novela, o começo da novela, a cena “importante” da novela, a sem-calcinha da semana, enfim…

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Não se sabe de onde tiram, mas o fato é que os spammers têm alguma sorte de conhecimento sobre o funcionamento da psicologia humana (porque — ao menos por enquanto — jumentos, mulas, salsinhas e amebas não lêem no computador, não literalmente). Eles sabem que precisam atiçar o interesse do seu target com um senso de familiaridade forçado, comparações, ou oferta de vantagens exclusivas — como “seja o primeiro a ver o vídeo da celebridade tal dando para o fulano do Big Brother”.

Esta análise toda, que ficou bastante maior do que eu esperava, me faz pensar na enxurrada dos blogs que se dizem de “entretenimento”, que outros blogueiros chamam de “caça-paraquedistas”, e que na verdade são um ninho de conteúdo inútil acerca de escândalos envolvendo celebridades.

Embora qualquer um, inclusive eu, embora eu não seja qualquer um, possa criticar este tipo de blog, ninguém tem o direito de julgar o que eles fazem e dizer que é errado ou prejudicial a quem quer que seja. Faz parte da seleção natural do meio que os mais fortes sobrevivam, e quem não tiver capacidade para estabelecer-se sem temer a “concorrência” deste tipo de empreendimento deveria repensar seriamente sua decisão.

Três neurônios ou mais, por favor

Contudo, é dever de qualquer um que honre o que a Natureza enfiou dentro de seu crânio analisar o que consome e, em se tratando de blogs, o que lê.

E é dever de quem tenha mais de dois neurônios analisar as técnicas e o conteúdo de muitos blogs que se vêem por aí, comparando ao que fazem os spammers convencionais, de e-mail. Certamente esta pessoa (a de três ou mais neurônios) não tardará a ver que a índole de quem faz spam por e-mail não tem que necessariamente ser pior do que a de quem escreve blogs sobre a celebridade tal nua ou na capa da revista masculina.

Mas é claro: esta é apenas a minha opinião.

(Crédito das imagens: http://www.sxc.hu/)

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