Um blog pode ficar famoso dispensando Salsinhas & Paraquedistas?
Todo o blog almeja a fama. Mas, como sair das sombras se você tem milhões de blogs saindo da casca todos os dias e a sua voz emudece em meio à disputa pelo vedetismo? Se é certa a cruel estatística de que a maioria dos blogs morre em 3 meses, também é verdadeira aquela que contabiliza milhões de blogs brotando diariamente no mundo.
Alguns incautos nivelam a profissão mais velha do mundo ao ofício de blogar, ousando afirmar que tanto a putaria, como a blogaria pertencem ao gênero da “vida fácil”. Mesmo não querendo ser corporativo, tenho que puxar a brasa para o time blogueiro: é uma atividade que requer trabalho atroz, caso se queira verdadeiramente a diferenciação em meio à massa disforme de bilhões de blogs.
O segredo para a diferenciação está na visibilidade, ou seja, você terá que ser lido, terá que aparecer, terá que polemizar, terá que marcar posições. Encontrei a perfeita ilustração do que Não fazer na apresentação deste blogueiro No BlogLista:
“Pois bem… Não gosto muito da idéia de ser o centro das atenções em um tópico, mas de todo jeito vou ter que fazer isso mesmo, né? Sou Marcus Danillo, webdesigner/webdeveloper/whatever de Campinas e blogueiro nas horas vagas. Por enquanto, escrevo apenas no meu blog pessoal http://danillonunes.net, mas tenho alguns projetos para criar novos blogs em breve, que serão devidamente jabazeados por aqui (dentro do que as regras permitirem, claro). Então, é isso. Não aumentem minha vergonha respondendo essa mensagem. Grato.”
A fórmula do sucesso dos blogs é bastante simples é insofismável: os blogões só são grandes porque conquistaram seu nicho do mercado. Ora, quem quer atrair leitores não pode se dar ao luxo de recusar paraquedistas, salsinhas, trolls, miguxos, emos, etc. Mas a coisa não é tão simples assim, pois os blogueiros tendem a ser altamente exigentes com seus leitores, impondo restrições quase religiosas.
O Norberto Kawakami manifesta um certo desdém pelos paraquedistas no seguinte comentário “o efeito UEBA faz uma massagem no nosso ego, mas não sei se realmente faz alguma diferença no crescimento do meu blog ao final das contas…”
É certo que os enxames de paraquedistas produzem explosões nas curvas de acessos, responsável pela contaminação dos blogueiros com o “vício do pico”. Uma vez terminado o fenômeno explosivo, a volta ao dia a dia dos leitores habituès traz consigo uma certa frustração, o que pode levar à constatação de que a fama ainda não foi atingida.
Vejamos como a blogueira do Blog Megalopolis constatou lucidamente a incompletude do seu projeto de fama: “Atualmente, empreendo uma campanha para tornar meu blog famoso. Achava que estava conseguindo, mas era só impressão.”
O fato de não ser saudável dedicar a vida a caçar paraquedistas, não significa que desdenhá-los é o caminho da saúde. No mundo cão altamente competitivo da blogosfera, nenhuma porta deve ser fechada na véspera. A menos que você já esteja por cima da carne seca, qualquer efeito Uêba deve ser muito bem vindo, além de não ser de bom tom enxotar os enxames de paraquedistas e salsinhas que eventualmente caiam no seu blog, mesmo que não movam um milímetro a agulha do seu Adsense.
Glossário:
Paraquedista: é o tipo de leitor que cai de pára-quedas no blog atraído por alguma palavra-chave safada ou por algum hype, apertando tudo que é link e, contrariamente aos esportistas aéreos, que uma vez no chão não decolam, o leitor paraquedista levanta vôo para nunca mais voltar. Este tipo de leitor praticamente não lê, portanto, esperar comentários deles é acreditar em milagres.
Salsinha: os dois termos são quase sinônimos. Salsinha costuma caracterizar o leitor sem-noção. Há até um site dedicado a este tipo, criado pelo Cardoso, que um dia teve a esperança de ganhar algum Dim Dim com eles, segundo suas palavras textuais:
“Este blog foi criado para tentar tirar um trocado em cima da estupidez humana. Muito provavelmente vou ficar rico, ninguém nunca perdeu dinheiro subestimando a inteligência alheia, e a Internet está cheia de gente “muito” esperta.”
Além do Cardoso não ter ficado rico com o Salsinhas.com, ele foi atualizado pela última vez nos idos de setembro deste ano, o que comprova que ganhar dinheiro exclusivamente com a escória intelectual é tarefa que exige estômago de porco.
Moral da história: A menos que você pertença ao seleto time dos Top 100 da Blogosfera brasileira, não poderá prescindir de bixos emplumados, peludos, cascudos, ou seja, de Salsinhas, Paraquedistas, Trolls, Orcs, Emos, Miguxos. Caso contrário, a campanha para tornar o seu blog famoso vai redundar num grande fracasso.
Crédito da foto: Evonik.

Apesar de tudo, eu não posso discordar de você. Não estou fazendo nenhuma força para ser famoso ou virar problogger com o danillonunes, então acho que sou um ótimo exemplo do que NÃO FAZER para quem tem estes objetivos.
Quanto à necessidade de salsinhas e paraquedistas para a sobrevivência do blog, acho que depende acima de tudo do tema tratado. Quem for blogar sobre assuntos mais populares não poderá desprezar este público. Já alguns temas mais complexos (imagine um blog sobre física quântica, por exemplo) poderão decepcionar o autor se ele buscar incessantemente otimizar seu blog para salsinhas. Acho que neste caso o melhor é ele procurar outras formas de divulgação para atingir seu público ideal.
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Tudo isso que você disse, depende principalmente de qual público você quer atingir como disse o Danilo.
Em contraposição ao Efeito UEBA, prefiro me dedicar ao Google que dá um resultado muito mais duradouro e muito mais consistente ao longo do tempo.
E quanto à massagem do ego a que me referia no comentário, está mais por ter emplacado um post na home do UEBA que ter recebido as visitas de lá. Ainda mais, porque NÃO fui eu quem o indicou por lá.
Quanto a Salsinhas e Paraquedistas, tenho um ponto de vista diferente dessas definições que você deu… Aliás, isto merece um post!!!
abraço
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Todos vocês, assim como eu, cada um à sua maneira, perseguem o mesmo objetivo: expressar através do veículo Blog o melhor de nós mesmos. E para a consecução disto, temos as mesmas necessidades da mídia tradicional: visibilidade, inteligibilidade, intercambialidade, credibilidade, consistência, atualidade, universalidade, etc.
Contudo, desafio qualquer um a me apresentar uma conceituação precisa da função dos Blogs. A língua portuguesa sofre de um padecimento filosófico extremo, ao nível da indigência. Quem são nossos filósofos? Por acaso, Saramago e Machado de Assis, passando por Fernando Pessoa? Pera aí, eles são literatos!
Nós criamos termos, mas não os conceituamos e muito menos os definimos. Está vacante todo um trabalho de conceituação de paraquedistas e salsinhas – não nos interessamos por filosofia, talvez porque a língua lusitana tenha péssimos atributos discussivos, sei lá. Quando o Dasein de Martin Heidegger, do alemão se transforma em ser-aí-no-mundo no português, percebe-se o tamanho mirrado do nosso ferramental filosófico linguístico.
O trabalho filosófico de Metablog, nem os grandes da blogosfera fazem. Descubro estarrecido que alguns deles volta e meia se limitam a verter subrepticiamente alguns escritos da língua inglesa, mas sem completar a tarefa subjacente de conversão conceitual – pois isto exigiria um fôlego abstracionante que estamos longe de experimentar.
A intenção obstrusa por trás das firulinhas e levitações do tema pararaquedistas e salsinhas foi a provocação de uma discussão filosófica mais profunda. O Norberto Kawakami pegou o bonde andando (ou melhor, o viamão lotado) e acertou na veia! Estou curioso pelo trabalho a ser suscitado e, quiçá, as minhas tentativas não terão sido em vão.
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Norberto Kawakami respondeu em outubro 31st, 2008 12:15 pm:
A resposta é fácil. Parafraseando o Luciano Berio quando perguntado sobre “o que é música?”, posso dizer que os blogs servem para qualquer coisa que o seu dono quiser que ele sirva.
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Devo ficar satisfeito então que com duas semanas tenho 5 visitas diárias?
Acredito que não, né?
Tenho aprendido muitas coisas sobre blogs e seus afins, principalmente, paciência.
Obrigado pelo post, me ajudou também.
Até mais ver.
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